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Chuvadas...


Chuva intensa

O vento sopra desnorteado,
O céu cinzento e triste,
Da janela vejo chuva que cai intensamente,
Cá dentro ainda enxuto sinto o frio de roupa molhada,
Penso no conforto dum banho quente,
Roupa seca e aconchegante,
Um chá, um café ou um Porto levemente aquecido.
Tenho de enfrentar o mau tempo,
Sentir na pele o frio da chuva,
Não tenho horta nas costas,
Mas exponho-me á intempérie,
O tempo urge com tanto por fazer,
Não será uma chuvinha que me fará parar.

O destino é quem comanda,
A chuva continua a cair,
Enlameado, pés molhados até ao pescoço,
Há quem esteja no conforto do lar,
Eu, com metas traçadas,
Ignoro o mau tempo pelo menos para já,
Sigo firme meus desejos e vontades,
A chuva é apenas água que cai do céu,
Aguento-me.

Quando a chuva passar,
Virá outro estado,
Pode ser sol ou tempo nublado,
Já nem me lembrarei da chuva no meu rosto,
Se calhar até já esqueci o desconforto,
Haverá momentos de eu próprio ficar no abrigo,
Quando muitos andarão á chuva,
Procurando incessantemente as suas metas,
Mesmo que com muito frio,
Por entre as chuvadas,
Aguentam-se.

Hoje já não há chuva,
Já não cai água do céu,
Já não sinto desconforto,
Mas ainda tenho metas,
Ambições atingíveis,
Caminhos que quero e vou trilhar,
Não recolho o corpo á chuva forte,
Porque ainda não é tempo desse tempo,
Ainda posso resistir,
Aos invernos rigorosos,
Aos dias de chuva intensa.

Pedro Albuquerque




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