Nunca escreverei um livro
Não posso tentar escrever um livro,
As frases que escrevo não se enquadram,
Os meus textos são conjuntos de palavras inúteis,
Não seriam suficientemente boas para estar contidas num livro.
Um livro tem narrativa cuidada,
Tem pontuação correcta, textos claros e viciantes,
Um livro se for um drama/romance emociona e apaixona quem o lê,
O que escrevo é enfadonho e não causa emoção na sua leitura.
Se um livro for científico ou técnico tem conhecimento contido e enriquece quem o lê.
Um livro religioso tem conceitos e opções de vida,
Amplia a crença e devoção dos fieis.
Um livro de poemas apesar de não ter uma pontuação tão cuidada,
Exige uma escrita com emoção, apaixonada e apaixonante,
Normalmente com uma carga emocional forte e com alma.
Não posso ousar aceitar a opinião de quem acha que devo tentar escrever um livro,
Seria muito pretensioso achar que tal seria possivel,
Gosto de escrever para mim,
Partilhar alguns textos para os poucos que se interessam em ler,
Jamais serão um livro, jamais farão parte dum livro,
São apenas coisas minhas, rascunhos eternos,
Transcritos do meu coração para o papel, ou em formato digital,
Com pouco valor, sem utilidade,
Mas que nunca poderão ser efectivamente um livro.
Um livro tem prefácio, principio meio e fim,
O que escrevo nunca poderia ser um livro,
Nunca encontraria um fim e sinceramente também não saberia onde é o principio,
E um livro verdadeiro não poderia ter apenas meio,
E prefácio? Prefácio jamais alguém o faria,
Tomando parte dos devaneios dum tipo que costuma utilizar as palavras,
Num emaranhado sem nexo,
Sem principio nem fim.
Não tentarei escrever um livro,
Mas escreverei sempre,
Frases minhas, textos meus, coisas minhas,
Serão memorias para se um dia não me lembrar,
Servirão para nada, serão apenas palavras ao vento,
Mas um livro nunca serão.
Pedro Albuquerque

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