Frio


 Embriagado de frio,

Corpo enregelado e alma sem conforto,

Não pactuo deste tempo, 

De neve ou da geada,

Desconforto desconcertante,

Frio de cortar á faca,

As pontas dos dedos geladas,

Sem capacidade de superação deste clima,

Corpo nos limites combalido,

Extasiado e fatigado,

Consequências do maldito inverno,

Que ainda mal começou,

Mas que decididamente já só desejo ver partir.


Quando chegar a primavera,

Se eu também chegar,

Quero viver o maravilhoso sol,

Sentir o cheiro das flores,

Guardar casacos e camisolas,

Roupas e calçado mais aconchegante,

Sentir calorzinho,

Esquecer os dias frios,

Enroscado ora nos lençóis,

Ora nas mantas no sofá,

Ou até na imensa roupa que trago vestida,

Fazendo lembrar um chouriço,

A única forma de diminuir o frio que me invade.


O frio não me ajuda a pensar,

Bloqueia-me a mente,

Desbaratina-me o pensamento,

Tira-me do sério, tira-me de mim.

Decididamente eu não queria viver em países nórdicos,

Não me fascina a neve,

Não me deslumbra os desportos de inverno,

Nem sequer as comidas quentes e pesadas.

Sinto-me latino,

T-shirt, calções e chinelos,

Piscina, praia ou campo,

Piqueniques, passeios pela natureza,

Noites ao luar, cervejas e esplanadas,

Churrascos ao ar livre,

Santos populares, arraiais e sardinhadas.

Volta Primavera, 

Manda embora este inverno,

Leva o frio para bem longe,

Leva que não o quero ver, ter ou sentir,

Não, decididamente não gosto do frio.

Não sou Inverno, 

Sou Primavera.


Pedro Albuquerque

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