Pandemia...

 


Nasce o dia,

 

A noite não foi para desfazer o cansaço,

O cansaço vem das rotinas que não cansam,

Não descanso a mente procurando ideias,

Os melhores caminhos para o pós e durante,

Sim, porque sempre há um caminho.

 

Mexer o corpo precisa-se,

Ficar parado… perplexo… não serve, não é solução,

Existe um vazio de sons de vida normal,

Um moinho de café, risos, buzinas, os carros...

Os sons frenéticos das cidades.

 

Tenho a tentação de sair,

Na essência preciso de pessoas e conversas,

Preciso de ser e sentir-me útil,

Não, para mim estar em casa não é vida,

Sou filho da rua,

O palco das oportunidades.

 

Lá fora chove,

Da janela vejo a tristeza duma manhã sem sol,

Mais um dia ao telefone,

Uma tarde de chuva,

Aqui estou, solitário, divagando…

 

O tempo é de pandemia,

Os mortos arrepiam,

Não são números, são pessoas,

Seres como nós que partem, que não sobreviveram.

Penso nos meus,

Penso nos amigos e conhecidos,

Vamos multiplicando os votos de pesar,

Não imaginei ser possível viver este drama,

O meu coração está ferido…

Quero voltar a ter uma vida normal,

Quero, rapidamente… sair da minha janela…

 

Pedro Albuquerque

 

 

 

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