Mercado
de trabalho.
O mundo é cada vez mais global, e se para os indiferenciados com muito baixos
recursos é dificil encontrarem o caminho e a oportunidade de se deslocalizarem
em busca duma vida melhor, para a maioria dos jovens de hoje já não há essas
dificuldades, e muitas vezes já não estão para se sujeitar á precariedade de
muito baixos salários (em Portugal o salário mínimo está praticamente em linha
com o limiar da pobreza), sendo esta uma das razões para partirem á aventura
para outras paragens onde o trabalho, o bem estar social e as condições gerais
de vida são realmente valorizadas. Em Portugal, um dos piores países da Europa
no que toca a desigualdades sociais com um fosso abismal entre classes em respeito
a rendimentos do trabalho, onde proliferam uma minoria cada vez mais rica e uma
maioria cada vez mais pobre, instituiu-se o salário mínimo para o trabalho
máximo, e mais recentemente é só escutar as lamúrias de que não há
pessoal para trabalhar, sobretudo nas atividades que requerem trabalho mais
duro ou especializado, fora do dito "horário normal de trabalho", mas
ainda agora a procissão vai no adro, pois a comunicação também já é
global, principalmente por via das redes sociais e esta via já está sendo
utilizada com frequência para aliciar profissionais do nosso país a mudarem-se
para outros locais do mundo, com ofertas de melhores salários e condições de
vida; no caso do sector de hotelaria onde passo os meus dias, tenho confrontado
vários empresários do setor que andam em busca incessante por profissionais que
não encontram, do porquê de andarem á procura e de porquê não têm pessoal
suficiente, a resposta tem sido praticamente sempre a mesma, "...na
pandemia tiveram de dispensar pessoal ou part-times que por sua vez tiveram que
procurar novas soluções como trabalharem noutras atividades ou buscar novas
soluções como trabalhar por conta própria, ou partiram para o estrangeiro,
mudaram de atividade, etc, etc...ora eu como tenho contacto de milhares de
profissionais deste sector devido ao facto de trabalhar numa alargada região
nos últimos anos, fui percebendo que cada vez mais eles têm partido com suas
famílias para diversos países para onde foram em busca de melhores condições de
vida.
Portugal em termos de segurança, clima, condições básicas sanitárias, condições
médicas no geral, etc...é um país fantástico para se viver, nas grandes cidades
Lisboa e Porto há efetivamente algumas oportunidades mais valorizadas, para os
trabalhadores nómadas é um país atrativo porque não vivem com a nossa realidade
salarial, para os reformados do norte da Europa o nosso clima e gastronomia são
apelativos porque têm rendimentos superiores e conseguem ter uma vida
desafogada, mas para os portugueses, os que trabalham e pagam uma das maiores
cargas de impostos da europa e com rendimentos dos mais baixos da europa,
Portugal não é atrativo para profissionais o que tem levado á fuga e
debandada de muitas famílias; recentemente as empresas estrangeiras também elas
com dificuldades de encontrar mão de obra qualificada e especializada ou
indiferenciada, têm recorrido ao contacto com portugueses que sabem que têm
baixos salários, aliciando-os por esta via para irem trabalhar para lá; conheço
casos para o Luxemburgo, para a Suécia, para Noruega, para o Dubai, para Canadá
e até já para países de Leste que já nos ultrapassaram nos últimos anos no que
toca a rendimentos do trabalho.
Saindo os jovens, sendo difícil recrutar estrangeiros que também estão atentos
ao mundo e sabem que noutros destinos pagam mais, os mais velhos saindo para a
reforma fica a malta de meia idade que se vai aguentando mas que não chega para
as encomendas, logo o tecido empresarial vai ficando mais pobre, em
dificuldades de evolução e não se vislumbra melhorias para os próximos anos,
aliás os analistas presumem um agravamento da crise de pessoal para trabalhar.
O teletrabalho, a comunicação através das vias digitais veio revelar que há uma
necessidade e uma procura intensa por profissionais de TI (tecnologias da
informação), pois a comunicação é feita com recurso a estas vias, e este é um
setor atrativo e com muita necessidade de profissionais, até porque permite que
se possa estar em qualquer ponto do mundo a trabalhar para qualquer lugar. A hotelaria
está com uma dificuldade extrema em conseguir mão de obra o que começa a levar
o custo do trabalho para patamares mais altos, algo que considero que nos próximos
anos será uma inevitabilidade e que terá de levar-nos para realidades mais próximas
dos outros países europeus, se é que a restauração não quer chegar ao ponto de rutura
total de falta de mão de obra. A construção civil também tem estado a subir o preço
da mão de obra, algo de muita justiça pois na cadeia do negócio imobiliário todos
estavam a ter lucros elevados excepto os trabalhadores que as construíam ou faziam
a sua manutenção.
Tenho
ao longo da vida viajado um pouco, uma das coisas que tenho sempre curiosidade de
saber é o rendimento das pessoas nas diversas realidades, assim como o custo de
vida geral, o que constato de muita diferença é o rendimento ser quase sempre superior,
sendo que há coisas que também são mais elevadas
como habitação, e tudo o que engloba serviços pois têm de pagar valores salariais mais elevados, como
por exemplo cafés e restaurantes, mas se se fôr ao supermercado a diferença é diminuta
e curiosamente até já apanhei produtos portugueses nesses países mais baratos que
em Portugal. Algumas coisas são mais caras, mas o remanescente, o rendimento que
sobra das necessidades básicas esse, tem uma diferença brutal, a não ser que comparemos
com países pobres africanos ou da América latina, mas penso que já não podemos fazer
essa comparação pois somos um país mais evoluído, com realidades muito diferentes,
com diferenças profundas civilizacional e não é sério fazer comparações com essas
realidades. Nos países nórdicos onde tenho familiares a questão dos rendimentos
é mais justa, são países que têm como filosofia de vida a busca da igualdade e do
bem estar social comum, adotar estilos de vida saudáveis e nessa perspetiva as empresas
partilham sempre parte dos lucros, assim como os estados atribuem prêmios por ganhos
de produtividade e poupança de custos supérfluos, a igualdade é a máxima sempre
presente nas mentes, logo que o fosso entre ricos e menos ricos é diminuto, uma
vez que na verdade não existem pobres. Portugal é realmente um país fantástico,
um país pequeno mas com tanta diversidade de locais, não precisamos sair das nossas
fronteiras para encontrar locais mágicos, uma gastronomia única, o melhor peixe
do mundo, um clima maravilhoso, mas no que toca ao mercado de trabalho, as nossas
empresas, os nossos empresários e também os nossos trabalhadores têm de aprender
tudo pois estamos cada vez mais na cauda da europa e, ou apilhamos caminho ou perdemos
definitivamente o barco… e as pessoas válidas ….
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