Mercado de trabalho 2021

 

Mercado de trabalho.

O mundo é cada vez mais global, e se para os indiferenciados com muito baixos recursos é dificil encontrarem o caminho e a oportunidade de se deslocalizarem em busca duma vida melhor, para a maioria dos jovens de hoje já não há essas dificuldades, e muitas vezes já não estão para se sujeitar á precariedade de muito baixos salários (em Portugal o salário mínimo está praticamente em linha com o limiar da pobreza), sendo esta uma das razões para partirem á aventura para outras paragens onde o trabalho, o bem estar social e as condições gerais de vida são realmente valorizadas. Em Portugal, um dos piores países da Europa no que toca a desigualdades sociais com um fosso abismal entre classes em respeito a rendimentos do trabalho, onde proliferam uma minoria cada vez mais rica e uma maioria cada vez mais pobre, instituiu-se o salário mínimo para o trabalho máximo,  e mais recentemente é só escutar as lamúrias de que não há pessoal para trabalhar, sobretudo nas atividades que requerem trabalho mais duro ou especializado, fora do dito "horário normal de trabalho", mas ainda agora a procissão vai no adro, pois a comunicação também já  é global, principalmente  por via das redes sociais e esta via já está sendo utilizada com frequência para aliciar profissionais do nosso país a mudarem-se para outros locais do mundo, com ofertas de melhores salários e condições de vida; no caso do sector de hotelaria onde passo os meus dias, tenho confrontado vários empresários do setor que andam em busca incessante por profissionais que não encontram, do porquê de andarem á procura e de porquê não têm pessoal suficiente, a resposta tem sido praticamente sempre a mesma, "...na pandemia tiveram de dispensar pessoal ou part-times que por sua vez tiveram que procurar novas soluções  como trabalharem noutras atividades ou buscar novas soluções como trabalhar por conta própria, ou partiram para o estrangeiro, mudaram de atividade, etc, etc...ora eu como tenho contacto de milhares de profissionais deste sector devido ao facto de trabalhar numa alargada região nos últimos anos, fui percebendo que cada vez mais eles têm partido com suas famílias para diversos países para onde foram em busca de melhores condições de vida.
Portugal em termos de segurança, clima, condições básicas sanitárias, condições médicas no geral, etc...é um país fantástico para se viver, nas grandes cidades Lisboa e Porto há efetivamente algumas oportunidades mais valorizadas, para os trabalhadores nómadas é um país atrativo porque não vivem com a nossa realidade salarial, para os reformados do norte da Europa o nosso clima e gastronomia são apelativos porque têm rendimentos superiores e conseguem ter uma vida desafogada, mas para os portugueses, os que trabalham e pagam uma das maiores cargas de impostos da europa e com rendimentos dos mais baixos da europa, Portugal não é atrativo para profissionais  o que tem levado á fuga e debandada de muitas famílias; recentemente as empresas estrangeiras também elas com dificuldades de encontrar mão de obra qualificada e especializada ou indiferenciada, têm recorrido ao contacto com portugueses que sabem que têm baixos salários, aliciando-os por esta via para irem trabalhar para lá; conheço casos para o Luxemburgo, para a Suécia, para Noruega, para o Dubai, para Canadá e até já para países de Leste que já nos ultrapassaram nos últimos anos no que toca a rendimentos do trabalho.
Saindo os jovens, sendo difícil recrutar estrangeiros que também estão atentos ao mundo e sabem que noutros destinos pagam mais, os mais velhos saindo para a reforma fica a malta de meia idade que se vai aguentando mas que não chega para as encomendas, logo o tecido empresarial vai ficando mais pobre, em dificuldades de evolução e não se vislumbra melhorias para os próximos anos, aliás os analistas presumem um agravamento da crise de pessoal para trabalhar.
O teletrabalho, a comunicação através das vias digitais veio revelar que há uma necessidade e uma procura intensa por profissionais de TI (tecnologias da informação), pois a comunicação é feita com recurso a estas vias, e este é um setor atrativo e com muita necessidade de profissionais, até porque permite que se possa estar em qualquer ponto do mundo a trabalhar para qualquer lugar. A hotelaria está com uma dificuldade extrema em conseguir mão de obra o que começa a levar o custo do trabalho para patamares mais altos, algo que considero que nos próximos anos será uma inevitabilidade e que terá de levar-nos para realidades mais próximas dos outros países europeus, se é que a restauração não quer chegar ao ponto de rutura total de falta de mão de obra. A construção civil também tem estado a subir o preço da mão de obra, algo de muita justiça pois na cadeia do negócio imobiliário todos estavam a ter lucros elevados excepto os trabalhadores que as construíam ou faziam a sua manutenção.

Tenho ao longo da vida viajado um pouco, uma das coisas que tenho sempre curiosidade de saber é o rendimento das pessoas nas diversas realidades, assim como o custo de vida geral, o que constato de muita diferença é o rendimento ser quase sempre superior, sendo que há  coisas que também são mais elevadas como habitação, e tudo o que engloba serviços pois têm  de pagar valores salariais mais elevados, como por exemplo cafés e restaurantes, mas se se fôr ao supermercado a diferença é diminuta e curiosamente até já apanhei produtos portugueses nesses países mais baratos que em Portugal. Algumas coisas são mais caras, mas o remanescente, o rendimento que sobra das necessidades básicas esse, tem uma diferença brutal, a não ser que comparemos com países pobres africanos ou da América latina, mas penso que já não podemos fazer essa comparação pois somos um país mais evoluído, com realidades muito diferentes, com diferenças profundas civilizacional e não é sério fazer comparações com essas realidades. Nos países nórdicos onde tenho familiares a questão dos rendimentos é mais justa, são países que têm como filosofia de vida a busca da igualdade e do bem estar social comum, adotar estilos de vida saudáveis e nessa perspetiva as empresas partilham sempre parte dos lucros, assim como os estados atribuem prêmios por ganhos de produtividade e poupança de custos supérfluos, a igualdade é a máxima sempre presente nas mentes, logo que o fosso entre ricos e menos ricos é diminuto, uma vez que na verdade não existem pobres. Portugal é realmente um país fantástico, um país pequeno mas com tanta diversidade de locais, não precisamos sair das nossas fronteiras para encontrar locais mágicos, uma gastronomia única, o melhor peixe do mundo, um clima maravilhoso, mas no que toca ao mercado de trabalho, as nossas empresas, os nossos empresários e também os nossos trabalhadores têm de aprender tudo pois estamos cada vez mais na cauda da europa e, ou apilhamos caminho ou perdemos definitivamente o barco… e as pessoas válidas ….

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