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Sons da Aldeia (texto de agosto 2017)


 Sons da aldeia


Escuto os silêncios da aldeia, 

Atento, com audição em alerta,

Posso perceber que afinal o que parecia silêncio,

Tem muitos sons, muitos movimentos.


No abismo, 

No céu bem por cima de mim,

Aviões bem lá no alto,

Vão passando e são audíveis,

Cá em baixo, onde parece reinar o silêncio.


O ribeiro apesar da seca não secou,

O correr das suas águas,

Saltitando nas pedras e seixos,

Parece uma espécie de melodia,

Cadência sempre certa no seu cantar,

Suas águas rumo ao rio, 

E depois rumo ao mar.


Uma coruja,

Camuflada na noite escura,

Canta espaçadamente,

Ora aqui perto, ora mais longe,

Deve ser como comunica,

Com outras corujas por aí,

Ou apenas sons banais,

Duma ave de rapina.


Posso perceber que sopra uma brisa,

Que faz abanar ramos e folhas,

Árvores e arbustos parecem bailar,

Sons duma serenidade e acalmia,

Mas sons mesmo assim.


Apesar do andar matreiro,

Posso escutar o ruido dum gato vádio,

Que caminha sobre folhas secas,

Denunciando os seus movimentos,

Talvez ande á caça,

Ou apenas deambulando por aí.


Há grilos e cega-regas,

Há rãs e sapos,

Uma mosca que ainda aparece apesar da noite,

Melgas e borboletas de volta da luz,

Mais um cão que ladra,

Outro ainda que responde.


No silêncio da aldeia,

Há ainda sons estranhos,

Uns que achamos escutar ou escutamos,

Outros apenas fruto da imaginação,

Há muitos sons por aí,

Mais audiveis ou mais discretos,

São sons que calmamente posso escutar.


Afinal na aldeia,

No vazio da noite,

Há sons de vida,

Há tudo menos silêncio, 

Muito para escutar e observar,

É assim a magia e encanto,

De viver numa aldeia,

Nesta hoje minha aldeia.


Pedro Albuquerque

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