Vou por aí,
Vaguear sem rota nem destino,
Vou beber naquela aldeia,
Ver cabras e ovelhas,
Entre serras e montanhas,
Perder-me em trilhos e vielas,
Cheiro a pasto e Prado,
Uma velhinha e um gato,
Nas voltinhas e passeios,
Subir montes e castelos,
Em igrejas e capelas,
Deambulando ao acaso.
Vou procurar as cascatas,
Vestígios do passado,
Outros tempos, outras gentes,
O mesmo lugar.
Vou procurar a tasca,
Beber o vinho comer a sandocha,
Passar o tempo e conviver,
Com as gentes das aldeias,
Que sempre estão ali,
De conversa fácil,
Contando os dias que passam,
E os que ficam,
Sempre por aí,
No mesmo lugar,
Até já não estar,
E o tempo os levar.
Se um cão me ladra,
Se uma vaca denuncia minha presença,
Um pato ou um pavão,
Com seus sons característicos,
Acusam minha chegada,
Um estranho naquele local,
Seu território, sua tranquilidade.
Vou acalmar o momento de agitação,
Quero estar no cenário, observando,
Não quero ser perturbação,
Quero ser paz e serenidade,
Inserir-me também nos silêncios,
Pensar em mim e na vida,
Pensar na felicidade de vivenciar tais momentos,
Estar ali simplesmente,
Sem nada para fazer,
Sem nada em que pensar.
Quanto menos penso em fazer,
Mais me sinto fascinado,
Mais umas ruínas,
Mais uma fonte de água fresquinha,
Uma árvore de fruta,
Fruta miúda, feia sem calibre,
Mas deliciosa,
Sumarenta e incrivelmente doce.
Nos silveirais há amoras,
Já há castanhas nos ouriços,
E magia na aldeia,
Suas gentes e costumes,
Que se apaixonaram por locais,
Que nos fazem a nós apaixonar,
Por cada sitio, cada pessoa,
Momentos felizes das nossas vidas.
Vou por aí ao acaso,
Levo a rota na mente,
Mas completamente sem destino,
Até ter de voltar.
Regressarei de coração cheio,
Enriquecido,
As viagens que faço,
Lá fora ou cá dentro,
Os ensinamentos que aprendo,
São passagens de vida,
Momentos únicos que por vezes não sei exprimir,
São o meu maior tesouro,
Património pessoal e cultural,
Que ninguém me pode levar,
Pedaços dum vaguear,
Que aprendi a viver,
Que aprendi a amar.
Pedro Albuquerque

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