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O cliente


 O CLIENTE.

Eu já tenho quase 54 anos e mais de 30 anos como comercial que na verdade até serão quase 40 anos pois sempre trabalhei  em serviços com foco no cliente enquanto empregado de balcão no comércio, mais tarde como empregado de mesa na hotelaria, e finalmente em vendas na Gelcentro onde permaneço até hoje. 


Quando cheguei á Gelcentro, á epoca éramos ainda "meia dúzia de gatos pingados" e aprendi com os meus superiores que para ajudar a evoluir a pequena empresa que o era naquele tempo, que o foco teria de estar num serviço de excelência, satisfazendo as condições particulares e interesses dos clientes sempre que possivel... sempre concordei com esta visão e sempre dei de mim o melhor para contribuir para esse servir de excelência.


Durante todos estes anos no meu ADN profissional sempre pus o foco no cliente que é verdadeiramente a razão da existência das empresas, claro que não podia deixar de respeitar os interesses da minha própria empresa, até porque sempre tive regras que tenho de seguir rigorosamente, regras em que na maioria concordo, (até discordo mais daqueles que têm poder para não as cumprir), mas no que fosse possível adaptar aos interesses do cliente, sempre fiz esse esforço por satisfazer ambos os interesses.


Satisfazer interesses particulares dos clientes não significa ser sub-serviente, não é isso na minha opinião um bom serviço que se pode prestar, nem tão pouco satisfaz verdadeiramente esses interesses dos clientes, mas acho que devemos pôr o foco nas vontades e condições particulares de cada cliente, e sempre que possível satisfazer esses interesses. 

Eu também sou cliente em muitos casos da vida e também tenho as minhas vontades, manias e desejos que gosto que quem me vende algo ou me presta serviço se adapte aos meus interesses sempre que lhe seja possível. 


No antigamente sempre se ouviu dizer "o cliente tem sempre razão" é esta uma frase feliz que reflete bem o esforço em servir o cliente, que um dia alguém proferiu ou escreveu e que tem um verdadeiro sentido de servir com responsabilidade.


Talvez seja eu "velho" e já não consiga perceber o mundo que me rodeia, talvez esteja eu errado e não consigo perceber o sentido que o conceito de "serviço" em que hoje seguem as empresas, pessoas, serviços e até o mundo do trabalho...


Talvez eu tenha dado de mim demais, talvez todo o esforço dispendido não se tenha transformado em riqueza pessoal proporcional ao crescimento da empresa que represento, talvez até possa concordar, mas nunca pensei em misturar alhos com bugalhos e sempre coloquei o foco no servir os interesses da minha empresa e dos clientes, só assim se podem reunir condições para todo o resto.


Ainda hoje o foco no cliente é na minha visão o foco mais importante de ter. As regras que são precisas de criar nas organizações devem ser e são fundamentais de existirem, podemos chamar-lhes até "dores de crescimento" mas não concordo que se criem regras apenas a pensar nos interesses e funcionamento interno dessas empresas, pois na minha opinião se as regras se focam apenas no funcionamento interno um dia essas empresas inevitavelmente deixarão de existir porque deixaram de ter o foco de onde vem o lucro e apenas no que é despesa...despesa sem lucro é o fim de ciclo.


Hoje no mundo laboral o foco é sempre no dinheiro, naquilo que se vai receber, nas contrapartidas, no que se vai ganhar, no que pagam para fazer isto, no que pagam para fazer aquilo, no que não pagam, etc... É como se apenas se fizesse um pouco mais apenas em troca dum valor, de algo mais... O brio profissional já não existe, o que conta é o que se vai receber, comissões para fazer isto, prémio para fazer aquilo, mais...mais...mais... Já não há nem respeito pelo trabalho, nem brio, claro que o dinheiro e as regalias que se aufere num desempenhar de funções tem um peso, ninguém quer menos se pode ter mais, mas também não considero correto que só se fassam esforços laborais em troca de mais dinheiro...gosto de acordos justos se é que tal existe, mas nunca deixarei de dar o melhor de mim mesmo que sinta que deveria auferir um pouco mais.


Na minha opinião também as competências apesar dos profissionais poderem estar mais bem preparados porque há imensas hipóteses e oportunidades para fazer formações com o intuito de melhorar essas competências, hoje muitos não querem saber, o que importa é receber o dinheirinho no final do mês e não procurar saber mais, melhorar capacidades, etc...isto é uma não preocupação, vejo muita despreocupação no mundo laboral com o cliente, vejo muito desinteresse das pessoas pela evolução dentro das estruturas, "é ir lá fazer aquela coisinha, aquele trabalhinho e não inventem mais que só ganho para fazer isto" vejo pessoas que dizem "acabei de chegar e já me ía embora"... "acabei as férias e já ía outra vez, só venho aqui perder tempo"... 

Na minha opinião são visões infelizes, ainda pior se pensadas por pessoas que chegam á pouco tempo ás organizações; estas pessoas supostamente entraram num grupo em que muitos lutaram para fazer crescer e deveriam vir com espírito de ser parte e de lutar como aqueles que já cá andam á muito tempo a puxar para cima, mas não, coitado do cliente no futuro que cada vez tem menos pessoas dedicadas com profissionalismo sos seus interesses, especialmente os especiais, pois só se quer trabalhar em piloto automático ignorando o resto.

Eu sou muitas vezes aquele cliente que entra num estabelecimento para comprar algo e que sou ignorado ou é ignorada a minha presença porque esses empregados estão a fazer outras coisas que deveriam deixar para segundo plano para atender um cliente que chegou, mas que optam por fazer ao contrário e quem fica em segundo plano é o cliente...eu sou muitas vezes esse cliente e porque um empregado mal formado e com visão sem foco no cliente, eu sou o cliente que o deixo de ser pois prefiro ser cliente noutros locais onde sinto que dão valor ao cliente...

Eu sou muitas vezes o cliente que ao tentar adquirir um produto ou serviço me tentam impor um ritual ou conjunto de regras de tal burocracia e complexidade que me faz desistir de ser cliente porque na minha visão é o cliente quem tem de ser servido e não o cliente ser obrigado a tantas imposições que mais parece que é o cliente quem tem de prestar serviço ao fornecedor...nestes casos eu também já fugi e já não sou cliente...


Internamente nas organizações, nas empresas, nas lojas, restaurantes, serviços...quem não tem foco no cliente sobretudo quando o negócio está em alta tende a desvalorizar a perda dum cliente "não quer assim, não faz falta nenhuma", mas costuma ser assim que caem os impérios e as empresas...nas grandes muito grandes, nas organizações com milhares, milhões de funcionários, que já foram pequenas e cresceram muito, que crescem sempre muito, que se multiplicam em cada ano que passa o foco no cliente, o foco no bem estar social interno, o foco na satisfação pelo serviço por parte do cliente, o foco na desburocratizar são uma constante... infelizmente em muitas outras situações é mau muito mau o foco no que deveria ser e não é, O CLIENTE.


Hoje o cliente tem muito por onde escolher em qualquer que seja a área de atuação, e raramente está para se importunar com ideias pouco visionárias que não se focam no cliente. Eu como cliente sei muito bem escolher quem quero ou não para me vender bens e serviços... há locais que já risquei do meu mapa pessoal e quase sempre por culpa de maus profissionais ou más práticas e regras...

Não escolhemos os pais, os filhos, a família... não escolhemos o lugar onde nascemos nem a cultura em que vivemos quando descemos...

Mas escolhemos o ciclo de amigos, a mulher ou marido com quem partilhamos os dias e também escolhemos onde queremos ou não ser clientes...

O CLIENTE NÃO TEM SEMPRE RAZÃO, MAS DEVEMOS PRESTAR-LHE UM SERVIÇO COM PROFISSIONALISMO, RESPEITO E DIGNIDADE...

SEM CLIENTES NÃO HÁ EMPRESAS E ORGANIZAÇÕES COMERCIAIS OU DE SERVIÇOS.


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