Coimbra


 Coimbra

 

Em ti,

Cidade mais cantada das cidades,

O sonho não tem fim,

A saudade não tem início,

A morte não tem lugar.


Em ti,

Cidade da juventude eterna,

Dos segredos sussurrados pelas ruas,

Do pôr do sol, do nascer das luas,

Das visões, dos projectos, das promessas,

A morte não tem lugar.


Em ti,

Poesia clara da verdade,

Tradição pura e presente,

O coração bate mais do que a idade,

E a emoção estala, toda, num repente.

Porque em ti,

Cidade amor,

A morte não tem lugar.


Em ti,

Por ruas antiquíssimas e solenes,

O peso da humanidade, com a leveza duma brisa de verão,

Acompanha os meus passos,

E diz-me que em ti

A morte não tem lugar.


Porque em ti, só em ti,

A vida és tu, e tu não morres,

Nem hoje, nem nunca,

Por seres, o que és,

Ó Coimbra.


 André Vilhena

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