PERCEPÇÃO
Não há dias completamente perfeitos,
Mas há dias bonitos de chuva,
Dias aconchegantes de inverno,
E dias relaxantes de verão.
Não há alimentos ou sabores consensuais,
Nem mesmo num extraordinário naco mirandês,
Numa requintada mariscada,
Ou no mais atraente doce ou gelado.
Na vida,
Nada é absoluto,
As nossas escolhas pessoais não tem de ser iguais às de outros,
Os nossos sentimentos e formas de interpretar podem ser únicas,
As visões essas são de certeza diferentes,
Cada qual tem o direito á sua percepção e forma de estar neste mundo,
E cada um de nós deve aceitar as diferenças dos seres que nos rodeiam,
Porque também desejamos que respeitem as nossas.
Quando chegamos não trazemos um guião para a felicidade,
Não trazemos sequer manual de sobrevivência,
Precisamos de alguém que nos encaminhe,
Ás vezes tornamo-nos sósias das nossas estrelas guias,
Nossos pais, nossas familias, nossos influenciadores.
Apesar dessas personalidades formatadas,
Também desenvolvemos nossas próprias personalidades e estados de alma,
Acendemos a chama das nossas crenças,
Fazemos nossos caminhos nesta curta passagem pela terra,
E o que importa realmente é viver de acordo com o que gostamos,
Com aqueles com quem nos identificamos.
Mas não há vidas perfeitas,
Pessoas perfeitas,
Amores perfeitos,
Nem mesmo aquele amor que sentimos pelos filhos,
Que são amores maiores.
Hoje,
Que me amo especialmente a mim,
Depois de muitos dias bons mas também maus,
Depois de pisar o tapete vermelho da vida,
Mas também a pista de espinhos e pregos do destino,
Consigo desvalorizar o que me magoa,
Ignorar o que não é bom nem interessa,
E fascinar-me apenas por aquilo que gosto e amo,
Respirando tranquilidade e serenidade em cada segundo da minha existência,
Porque é a isso que chamo felicidade.
Não há escolhas completamente consensuais,
Não há decisões verdadeiramente unânimes,
E não há mal nenhum ao mundo nisso.
Sempre teremos de passar os dias da nossa existência de alguma forma.
Ás vezes penso que a vida é apenas ilusão,
O tempo passa rápido,
E no final nada levaremos,
Talvez nem mesmo as memórias.
Pedro Albuquerque

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