Eu já estive nos dois cenários, ser desportista e não o ser de todo...fazer alguma coisa pouca, muito ou nada...
A vida é marcada por opções que tomamos, e mesmo eu na adolescência ter sido muito ligado ao desporto, a partir de determinada altura deixei de praticar; poderia facilmente atribuir culpas a muitos detalhes...vida dura, dificuldades financeiras, falta de tempo, falta de apoio, etc...
Todas são verdades, mas sobretudo desculpas para a preguiça, falta de foco, desinteresse procastrinação... Não tinha jeito para futebol, acabei por andar no atletismo, não era um atleta de topo e não percebi que mais importante que ganhar qualquer coisa era não parar...o melhor podium ou troféu que se tira do desporto é a manutenção física que acaba por favorecer a nossa saúde...
Fazer desporto dá saúde, mas também dá trabalho, temos de fazer escolhas, cortar excessos na alimentação que sabem bem, cortar nas bebidas alcoólicas que não são aliadas da boa forma física, cortar ou racionar, almoçaradas, festas, jantaradas, convívios, etc...todos estes estímulos são bem mais atrativos que matar o corpo em treinos...ainda vêm filhos e outros encargos e compromissos que nos encapotam a razão pela qual não fazemos desporto...
No meu caso e de certeza no caso de muitas outras pessoas, eram apenas desculpas porque a partir do momento que quis mesmo ter tempo, defeni prioridades, rotinas, e o tempo apareceu... O tempo é a coisa mais justa que todos temos (24 horas para todos), depois as nossas reais prioridades é que definem como o utilizamos...bem sei que quem quer ter desculpas vai insistir que não tem tempo,(todos temos 24 horas) que tem os afazeres de casa (todos temos), que tem problemas de saúde dores, etc, (o desporto melhora a saúde), que tem menores ao encargo que tem que tomar conta (tretas, nos ginásios andam muitas mães e pais com filhos)...
O Click para a consciência tem de chegar de alguma forma, a mim chegou-me num jantar que literalmente me mudou a vida, mas também tive que ter mente e espírito aberto para o receber...tal como deixei de fumar em 2007 e foi porque o quis mesmo, durante muito tempo disse que iria deixar de fumar mas era uma mentira pegada, na verdade sabia que não estava preparado e que não ía ainda deixar de fumar...quando quis realmente, deixei de fumar...
Felizmente recebi o click na altura certa, sim porque a altura certa não tem idade nem época certa, é quando aceitamos ou decidimos que queremos e eu depois desse jantar quis mesmo. Claro que com 55 anos tenho mais dificuldades e limitações que aos 20 ou 30 anos, também tenho mais mazelas e dificuldades de saúde, mas não sou inválido e não estou impossibilitado de tentar o que acho que sou capaz, e se não o fôr pelo menos tento e ganharei alguma coisa de certeza.
Já não quero nem posso parar, tenho de ir tentando mais metas e objectivos, tenho de ser inteligente para treinar correctamente e com inteligência, posso e devo tentar motivar outros que andem perdidos na preguiça e nas desculpas como eu também andava...sei que tenho fraquezas difíceis de ultrapassar, limitações que não quero admitir, que sou teimoso e vou querer conseguir atingir, mas essa é a razão mais que forte para tentar...e quem sabe se alguns impossíveis viram possíveis...
Então a resposta á pergunta da ilustração é:
A preguiça tem muita força e só alguns a contornam...tudo uma questão de querer...
PS: A minha esposa tem atualmente 62 anos, vai três vezes por semana ao ginásio, corre outras tantas vezes, trabalha horas a fio (bem mais que 40 horas por semana), ainda tem os afazeres lá de casa, ainda ajuda a filha que vive por cima nos afazeres dela (por exemplo passar a ferro), vai muitas vezes buscar os netos, etc...e ainda arranja tempo e disponibilidade física e mental para fazer umas provas de 10kms em alguns fins de semana... Eu repito 62 anos e não gosta de correr mas vai...mesmo que doa algo, vai...
A saúde é que é importante....

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