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Mensagens

Debaixo do mesmo céu

Mergulhado no silêncio, Um vazio no meu peito, Pedaços de nada neste dia, No meu íntimo não encontro esperança. Estou perdido, Vazio do que podia estar cheio, Nada pode tirar-me a penumbra, Não há sons, Apenas ilusões  que invadem minha imaginação, Alucinações. Natal outra vez, Passou e minha alma em desespero, Não consigo as palavras que seriam certas, Não consigo gritar sons que não saem, Apenas silêncio, Não tenho vez nem voz, Apenas estou cheio de nada, Sinto medo, Talvez perdido para sempre. Debaixo do mesmo céu, Ecoa agora a chuva, Que amplia minha angústia, Meu pleno vazio de sentimentos. Sinto-me pássaro a voar, Os meus voos não me levantam, Talvez  esteja rendido, Gritar não posso nem consigo, Não sei se ainda respiro, Não sei se vivo ou sobrevivo apenas, Sinto-me perdido, Desgraçado. Normalmente não sei perder, Dou o corpo á luta, Enfrento mares e tempestades, Entrego-me. Não sei se ainda posso, As forças desvanecem-se, O tempo...

Despreocupado

Caminho pela rua, Lerdo, Despreocupado, Escuto excertos de conversas, Lamentos a praguejar, Coisas fúteis sem interesse, Sigo caminho. Penosamente pedestro, Respiração ofegante, Mente a divagar em juízos cruzados, Voando, Naufragada no mar do pensamento, Sem terra firme á vista. Atalho por percursos desconhecidos, Ás vezes descarrilo, Desvario. Outras encontro-me, Sou pedaço de matéria, Equação decifrada, Matemática certa. Lerdo, Pela rua, Cabeça na lua, Desvairado, Quase naufragado, Ainda sou pedaço de matéria, Voo e sigo meu caminho. Pedro Albuquerque

Eternamente

Eternos, Serão segundos que o tempo marcou. Eternos, Serão momentos vividos que não se esquecem. Eternos, Serão aqueles que amam e sabem amar com intensidade. Eternos, Serão poemas e frases que a vida gravou. Eternos, Serão os beijos das mais belas histórias de amor. Eternos, Serão os dias que sempre lembramos e não sabemos esquecer. Eternos, Serão os anos em que os apaixonados cruzam vidas fabricando lindas histórias de amor. A eternidade, Estará em cada segundo, em cada momento, em cada individuo apaixonado, em cada poema que escreve, em cada beijo, todos os dias, todos os anos, Eternamente. Pedro Albuquerque

Eu sou assim

Sou como sou, Não serei, Como não sei, Porque sou assim. Sou como sei, Como me sinto bem, Sou como aprendi, Desde que nasci. Haverá quem não goste, Paciência, Não posso ser o que não sou, Apenas como capa, Vestindo a pele como máscara. Sempre quero ser melhor, Sem passar por cima de ninguém, Não posso é parar, Vou acelerar, Para ser eu, Como sou, Como sempre sou. Quero ser mais, Conhecer mais, Aprender mais, Continuando a ser eu, Assim inconformado. Dificil explicar o que sou, Deveras difícil demonstrar o que sinto, realmente, Por vezes incompreendido, Desacompanhado, Talvez eu seja o meu problema, Mas sou assim, Sou eu, Sou como sou. Um dia, Alguém perceberá quem sou, Como sou, O que sou, Ou talvez já só percebam o que fui, Como fui. Sou difícil mas tão fácil, Por vezes bravo mas tão dócil, Inconformado mas tranquilo, Despreocupado mas apaixonado, Como todo o homem deveria ser, Eu sou. Sou assim, Não serei como não sei, Serei como...

Aceitar meu destino

Atiro-me ao destino, Mergulho intensamente no imaginário, Sonho um futuro que não acontece, Um passado que ainda vive, Pedaço da alma que desvanece. Sou música perdida, Coração rasgado sem melodia, Passo de dança sem compasso, Amigo sem abraço, Chorando sem lágrimas minhas vicissitudes. Quero cheirar a primavera, Descobrir minha alma florida, Encontrar o jardim colorido da alegria, Num dia de sol mesmo que chova, Esvaziar a tristeza que desperta, E sonhar minha vida, Meu pedaço de chão plácido. Continuo perdido, Caminho esquecido que não sei, A mente imagina alterar o destino, Corro e caminho em desespero, O chão por vezes foge, A alegria teima evadir-se, Não vou desistir, Vou voar nas certezas incertas, E vou sonhar... Pedro Albuquerque

Coimbra, minha Coimbra

Ó cidade, Tu que viste meu nascer, Tu que me ensinaste tuas ruas e ruelas, Mija cão ou mija gato, De Santa cruz á portagem, Todas os teus recantos, Todos os teus encantos, Quando em ti penso ó cidade. Tu e teu choupal, Parque verde, ponte pedonal, Da sereia ao botânico, Da praça até á sé, Teus bares em noites boémias, Trajados ou banalmente vestidos, Tu ó cidade que me fazes lembrar-te. Quinta das lágrimas histórias de amor, Sempre lembramos Pedro e Inês, És inspiração de poetas, Muitos te escrevem outros te cantam, Serás Coimbra do coração, Sempre presente na alma de quem cá vive ou viveu. Tu ó cidade, Tens encanto na despedida, Charme e ternura na chegada, Magia em cada calçada, Memórias eternas dos doutores, Que por ti passaram e ainda passam, Aqueles que te cantam, Aqueles que como eu te sentem, Aqueles que como eu te vivem. Ó Coimbra do Mondego, Minha adorada cidade, Minhas lágrimas são flores, Quando estou longe e em ti penso. Ó Coimbra meu ...

Aniversário 48

Quase 48 anos O tempo passa, A mente transforma-se, Ainda penso nos 15 anos, Nos 21, nos 25, nos 28, 32 nos 36, Os dias mais dificeis entre os 36 e os 40. Lembro minha infância, Lembro amigos e amigas, Dias intensos onde cresci, Da má vida que fugi, Sobrevivi. Até aqui, Dos dias de sofrimento, Dos dias de crescimento, Vi um fundo do poço, Mas vi luz e caminho, Descobri o melhor da vida e de mim, Descobri o valor das coisas simples, Encontrei minhas luzes, Minhas metas meus caminhos, E sou feliz, 48 anos de maturidade. Talvez não seja como imaginei, Falharam comigo pessoas, casos e situações, Perdi imenso, Mas se bem contabilizar, ganhei imenso, Demasiado diria, Ganhei em maturidade e capacidade de superação, Ganhei em auto-estima, Primeiro amar-me para ter capacidade de verdadeiramente amar. Se o tempo voltásse atrás não faria bem o mesmo caminho, Talvez mais rígido, menos flexível,